Acadêmico e professor da UFMS descobrem nova espécie de aranha

A espécie foi batizada de Synotaxus Jaraguari em referência ao local onde foi encontrada

13 SET 2017UFMS17h40min
Foto: Divulgação UFMS

Foi em uma coleta de escorpiões realizada no município de Jaraguari (MS), em novembro de 2015, que um animalzinho quase invisível, escondido debaixo de uma folha, chamou a atenção do professor da UFMS Douglas de Araujo. O indivíduo de características peculiares foi coletado e trazido ao Laboratório de Citotaxonomia e Evolução Cromossômica Animal da Universidade, onde o professor e o graduando em Biologia Lucas Henrique Bonfim de Souza o analisaram.

Durante aproximadamente um ano e meio outras coletas foram feitas na região e, paralelo ao estudo cromossômico da espécie realizado na UFMS, a descrição da aranha, que até então era desconhecida, foi feita pelo pesquisador Antonio Domingos Brescovit, do Instituto Butantã. Segundo o professor Douglas de Araujo a parceria com o Instituto existe há quase 20 anos e é fundamental para as análises das espécies. “São estudos complementares porque nos voltamos aos cromossomos e eles ao formato, à morfologia. Além disso, trata-se de uma instituição mundialmente reconhecida, ou seja, os exemplares lá depositados ficam acessíveis para os pesquisadores do mundo inteiro”, explicou.

A espécie foi batizada de Synotaxus Jaraguari em referência ao local onde foi encontrada. “Pode ser que futuramente coletas em outros locais venham a apresentar indivíduos dessa espécie, mas até o momento a gente só tem registro naquela região, ou seja, podemos dizer que ela é endêmica de lá”, afirma Douglas.

Sobre as características da nova espécie o graduando Lucas elucida: “ela é de uma família muito pequena, que só tinha 10 espécies no mundo todo, essa foi a 11ª encontrada, enquanto outras famílias de aranhas possuem milhares de espécies. Outra característica bem interessante é que nessa espécie identificamos um sistema cromossômico sexual semelhante ao do ser humano, ou seja, os machos possuem cromossomos XY e as fêmeas XX. Isso é muito incomum nas aranhas. Das quase mil espécies que existem em todo o mundo que têm o sistema sexual descrito, apenas nove apresentam esse sistema semelhante ao nosso, é um número muito pequeno”, ressalta.

A descrição da espécie, de autoria de Lucas, Antonio e Douglas foi publicada em um artigo de agosto de 2017 na revista internacional Zootaxa, uma das mais importantes da área. Após a publicação a descrição foi inserida também no catálogo mundial de aranhas (The World Spider Catalog) disponível online no endereço: http://www.wsc.nmbe.ch/.

Lucas Bonfim finaliza lembrando que existem famílias inteiras de aranhas que nunca foram analisadas no que diz respeito à citogenética, inclusive essa foi a primeira da pequena família Synotaxidae. “E para fazermos análises com relação aos grupos inteiros precisamos desses estudos, por tanto, acredito que nossa publicação servirá de base para outros estudos que virão. Em relação à preservação também é interessante termos encontrado uma nova espécie ali porque se no futuro quiserem desmatar a área, por exemplo, terão de fazer uma análise sobre o impacto ambiental e ter uma espécie endêmica ali seria impeditivo. E, por fim, especificamente para mim, a descoberta foi um grande passo para continuar na carreira acadêmica, um incentivo à pós-graduação e ao desenvolvimento de mais pesquisas”.

HMEDIC

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