COLUNA

Decifrando

Marco Santos

As estratégias do Planalto

A Política e as Guerras tem em comum a necessidade de estratégias

27 FEV 2018 Marco Santo 09h00min

A Política e as Guerras tem em comum a necessidade de estratégias.

Estas precisam de certa dose de maldade para implementação e devem ser pautadas por princípios como iniciativa, mobilidade (manobra), flexibilidade, aplicação de massa ( força) no ponto e momento certos e centralidade de comando.

Nos últimos dias, o Planalto aplicou intensamente  estratégias cruciais  na Política que vinha realizando.

Deixou de lado a batalha centrada na reforma da previdência, momentos antes da derrota que poderia inviabilizar permanentemente a capacidade de manobrar politicamente, situação que já se evidenciava.

Ao decretar intervenção na ordem pública , via meios e Instituições da Seg Pub, nomeando um General de 4 estrelas como Interventor,   mobilizou praticamente todo o EB, carente de recursos de toda ordem,  afastando - o do debate central político e engajando - o em um enfrentamento perigoso.
Este movimento se dá concomitantemente as ações, com igual engajamento da Defesa, em Roraima.

Ao mesmo tempo, o Planalto  reduziu as possibilidades de ascensão a disputa pelo poder central, ensaiada por alguns proceres políticos no Estado do Rio de Janeiro.

Em seguida, criou o Ministério da Segurança Pública, nomeando para ele seu mais ativo operador explícito,  o Ministro da Defesa. Homem de discurso articulado e que sabe equilibrar - se em qualquer canoa, especialmente aquelas mais a deriva de esquerda.

Em seu lugar no MD, foi colocado um General que já ocupou cargo no Alto Comando, bem mais antigo que os atuais membros, muito respeitado, retirando o discurso do candidato da direita e , de certa forma, dividindo o poder crescente de outro general, já "ministro da Casa". Este também mais moderno que o nomeado MD.

Com esses interessantes movimentos estratégicos, melhorou o escudo militar a disposição do governo em seus desígnios políticos.

Além disso, concentrou massa e retomou a iniciativa, antes com o Congresso Nacional, reunindo forças para as eleições no centrão corrupto, porém poderoso em meios e efetivos.

A oportunidade não poderia ser melhor.

O candidato mais a esquerda foi derrotado por sua própria ideologia ultrapassada, pelo pífio e incompetente desempenho de uma ignorante militante e, claro, pela corrupção desbragada de todo seu staff. Não tem muitas chances na grande batalha de outubro / novembro próximos, a não ser movimentos de guerrilha política, empregando a militância radical reunida nos muitos movimentos que controla.

A prisão parece ser seu destino mais provável. Com isso o espantalho de arrozal seco estará afastado do campo de batalha, situação que muitos temiam. 

O candidato da direita, homem arrojado, com discurso centrado contra a esquerda radical, acabou, pelo menos momentaneamente, sem referências estratégicas ideológicas. Tem poucos recursos a disposição, além de uma verve mordaz e alguma capacidade de mobilização.

Se não se reinventar rápido, não vai deixar de ser o que sempre foi.

Assim, o Planalto, praticamente eliminadas as ameaças de flanco e algumas internas,  tem o terreno a frente para manobrar, podendo ampliar o poder disponível, via recursos que sabe usar com maestria, parte das maldades que o staff sabe empregar.

Este texto é apenas um ensaio de livre arbítrio e que, talvez, sirva para despertar alguma mente criativa de pessoa séria pelo bem do Brasil.

Marco Santos
Coronel Reformado do EB, empresário e professor universitário.

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