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Pedro Martinez

Creed II: o rival é osso duro de roer...

Batalha épica

31 JAN 2019 13h43min

Para quem não se lembra, na franquia de sucesso Rocky, Balboa usava sua força e garra para entrar no ringue e se superar. Já em Creed II, Adonis entra para tentar enfim se conhecer. E é assim que as duas franquias se completam: tendo um personagem tão crível como o Garanhão Italiano, que demonstra suas fraquezas tanto quanto suas forças humanizando ainda mais ele e todo o núcleo envolvido na história.

Lá no primeiro Nascido Para Lutar vimos o iniciar da relação entre Adonis Creed (Michael B. Jordan) e Rocky Balboa (Sylvester Stalone) e assim como também vimos a nostalgia do passado que monta sua trajetória. Já em Creed II a história se molda por uma pergunta em destaque quase que o tempo todo: para quem ou o quê ele está lutando?

Steven Caple Jr. dirige essa sequência desenvolvendo muito bem dois dos personagens principais, além de reviver uma figura memorável da franquia,  que é Ivan Drago (Dolph Lundgren) agora como um pai e treinador. As lutas são intensas e muito bem filmadas mas as imagens dos corners não são o prato principal - o sabor delicioso do filme está na memória afetiva que faz o público viajar ao passado.

Agora Rocky e Ivan só se unem como o passado por trás; Viktor Drago (Florian Munteanu) e Adonis Creed são muito talentosos porém estão à sombra de um passado que só resume a importância da vida deles. Viktor só quer reaver o prestígio que pai teve antes de perder para Balboa em Rocky 4. E Adonis não entende o porquê de querer tanto essa luta. Ele já é um campeão. Isso vai o tornar mais digno por vingar seu pai?! Isso vai aproximar ou trazer seu pai de volta?!

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Esse segundo filme pode ser considerado um dos mais contemplativos dessa nova saga, tanto que tais reflexões acima são postas à  prova o tempo todo pelo roteiro. Saber exatamente o que está fazendo é que move Adonis; ele só quer tentar absorver de um modo cabível o que realmente significa enfrentar Viktor, filho do homem que matou o seu pai. E junto dessa busca desenfreada ainda têm que lidar cok Rocky, que acha que a luta não vale a pena. Além disso ainda têm os desafios pessoais com a noiva Bianca (Tessa Thompson).

O drama é comovente e não apela com nenhum melodrama. A luta é só o final da batalha dos dois lutadores.

Para mim a coisa mais legal a frizar é como o longa trabalha os dois lados dessa luta. Não pende pra ninguém na balança. Lá no Rocky 4 a importância da luta era o patriotismo - em plena Guerra Fria, mas agora Rússia e EUA são só mesmo pequenos detalhes. A parada agora é pessoal e as identidades desses lutadores são uma grande herança. E claro também há um pouco de sede de vingança.

Pequenos detalhes dramáticos fazem o filme ganhar muito fôlego conforme vai se seguindo a história. Ele entrega exatamente o que Rocky sempre transmitiu: continuar seguindo em frente sem chegar nem perto de soar piegas. É uma batalha constante com um único destino que é vencer não importa como, nem quando.

Outro detalhe legal do roteiro é a humanização e importância da família Drago na história. Ela harmoniza bem com a história de Rocky e Adonis porquê não são só eles que perderam algo ou alguém  na vida. Ivan Drago também têm seus motivos para a infelicidade de sua carreira e vida pessoal. Assim posso te dizer que a mensagem do filme envolve muito mais a família do que qualquer outra coisa. É a coisa que todo mundo têm em comum na trama.

Em Creed II definitivamente não existem vilões e muito menos heróis, mesmo que socos sejam combustível para que torçamos para alguém em específico. É o que vem depois do gongo soar que possui intensidade para nutrir nossa existência. A vida não é só demonstrar força mas sim ter a força.

5 pipocas!

Em cartaz nos cinemas.

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