COLUNA

Top Pipoca com Pedroka

Pedro Martinez

Eu, Tonya: estragar a vida é fácil...

Profissionalismo duvidoso

11 JAN 2018 18h38min

O Oscar tá chegando, minha gente!

E o Top Pipoca com Pedroka começou a assistir alguns filmes concorrentes.

O primeiro deles é sobre o que falaei a seguir.

Eu, Tonya foi exibido no 42° Festival de Toronto e conta a história da ex-patinadora Tonya Harding (Margot Robbie). O filme é uma cinebiografia, mas feito como se fosse um documentário.

Na década de 90 a patinadora fez bastante sucesso; por seu talento e também pela sua luta de vir de uma infância pobre, sofrendo com a mãe LaVona (Alisson Janney) casca grossa e às vezes literalmente sem coração, e que era obcecada por sua carreira.

Tonya emergiu aos poucos até chegar a ser campeã de patinação no Reino Unido e ser segunda colocada no campeonato mundial.

Mas também ficou conhecida por mais. Só que por uma coisa não tão cheia de méritos assim. Na verdade um escândalo. Ela ficou marcada pra sempre na vida e carreira quando seu marido, Jeff Gilloly (Sebastian Stan) e dois ladrões, à mando do guarda-costas Shawn (Paul Walter Hauser), concluiram um plano para incapacitar a adversária Nancy Kerrigan. Como? Quebrando seus joelhos.

O diretor Craig Gillespie e o roteirista Steven Rogers narram no longa a versão de Tonya sobre os fatos. Como se buscassem todas as verdades do caso. Um traço de Scorcese é sentido na trama no tratamento de personagens problemáticos: tudo é visto com empatia mas sem nem um pingo de condescendência.

Baseado na reprodução de depoimentos verdadeiros gravados de Tonya, Jeff, LaVona e Shawn, todos esses entram muitas vezes em contradição, manipulam suas próprias imagens e fazem do filme praticamente um doutorado em "como zoar a própria vida" em dez passos.

O filme por si garante um retrato genuíno dos envolvidos e também da época. Tudo perfeitamente ambientado nos anos 90. E mostra a obsessão midiática da época. Pra mim, mais que isso, mostrou que os E.U.A nunca tratou Tonya como queridinha, e muito menos a vida ou a patinação deu chances pra ela: a mãe era insensível e a maltrava, o marido Jeff constantemente lhe batia e o guarda-costas era megalomaníaco. Toda essa familia e vida nada perfeita não condizia com a reputação de uma patinadora perfeita, segundo os próprios jurados pregavam.

Na tela nós veremos basicamente pessoas patetas no sentido de serem ignorantes mesmo. São vários trapalhões que não souberam lidar honestamente com a vida turbulenta. Pessoas que perderam uma grande chance na vida por escolhas completamente banais, que se fossem com outras pessoas, mais corretas da cabeça, jamais teriam pensando nisso. Prestes a ir para a segunda Olimpíada, a SEGUNDA.

O que se vê é, enfim, uma denúncia de forma longe do comum e que tece uma grande crítica ao culto das celebridades, à ditadura das aparências e a valorização do supérfluo. O filme traz belíssimas sequências apoiadas numa fotografia clean e é condizente com os registros da época retratada.

Leva com certeza o selo de "entretenimento garantido". Assistam!

5 pipocas!

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