COLUNA

Decifrando

Marco Santos

Exército brasileiro pode estar a caminho da África

O envio de tropas para a RCA ou mesmo seu emprego no país é uma dessas questões que não tem merecido sequer um vago pronunciamento oficial

24 JAN 2018 Marco Santo 15h01min

O Brasil está na iminência de enviar efetivos militares a República  Centro Africana, bem no coração da África.

Lugar complexo onde se  desenvolve uma conflito genocida dos mais complexos,de origens étnica, religiosa, politica, histórica e econômica.
O competentíssimo General brasileiro Santos Cruz foi convidado pela ONU a elaborar um plano de redução de baixas e melhoria da efetividade do emprego de tropas em operações de contra insurgentes, como dizem os norte - americanos.

O General, pelas matérias publicadas,  voltou a usar os princípios da Guerra, esquecidos pela onda modernista de que os conflitos seriam vencidos pelo peso dos meios empregados. 

Seria fácil vencer pelo poder bélico de "tanques"   extremamente pesados, bombas e mísseis  guiados, muito precisos, e bases fortificadas com muita proteção e conforto.

Efetivos foram reduzidos em proveito de tecnologias muito caras.

Isso levou a guerras imensamente dispendiosas que poucos países podem bancar.

Nesse ponto, os terroristas do 11 Set e seus sucessores da Al Q'aeda, ISIS, grupos menos expressivos e mesmo lobos solitários, apresentaram ao mundo as guerras assimétricas. 

Mostraram porque Davi podia enfrentar, e  vencer, Golias.

Baixos níveis tecnologicos, manuseados por homens e mulheres motivados, sem muito a perder além da vida, podem envolver grandes potências em guerras que não conseguem vencer.

Afinal, não é fácil matar ideias.

A solução proposta parece - me cabível e lógica.

Cabe pensar se as forças empregadas estarão dispostas a lutar esse tipo de conflitos no qual a vida do soldado terá valor relativizado ao do combatente tribal que terá pela frente.

O mesmo ocorre atualmente nas mais de 800  comunidades cariocas, ou no Rio Grande do Norte, por exemplo, em que policiais treinados e equipados (a vida deles é extremamente cara para as famílias, mas desprezível para o Estado) estão sendo abatidos, a rodo, por jovens nascidos para morrer e que contam com exíguo tempo de treinamento, mesmo usando fuzis de assalto de última geração. 
Fácil entender a sutil diferença depositada na assimetria.

A questão não é de fácil solução, tanto na República Centro Africana, como aqui, no espaço de batalha brasileiro.

Importante decisão estará nas mãos do Congresso Nacional e Presidencia da República. Instituições, presentemente, com seus integrantes mais voltados a evitar condenações e prisões do que com qualquer coisa relacionada às grandes questões nacionais.

O envio de tropas para a  RCA ou mesmo seu emprego no país é uma dessas questões que não tem merecido sequer um vago pronunciamento oficial, além do MD de praxe.

Assim, soldados são empregados. O Estado paga a miséria de sempre e as famílias ficam com os defuntos.

Marco Santos
Cel do EB.

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