COLUNA

Top Pipoca com Pedroka

Pedro Martinez

O Grande Circo Místico: o surreal em cena...

Arte

24 NOV 2018 09h09min

Hoje viemos falar de um filme que está em cartaz no cinema, e é a dica especial que tenho pra você.

O Grande Circo Místico, pra quem ainda não sabe é o anunciado como representante do Brasil na disputa pelo Oscar. É claro que tem gente que reclamou mas eu estou na lista dos que gostou e aprova a escolha. Depois de mais de dez anos sem dirigir, Cacá Diegues volta nesse pra mostrar seu talento muitas vezes desvalorizado no nosso país.

O filme é a adaptação do homônimo poema de Jorge de Lima, escrito em 1930 (transformado em musical por Chico Buarque e Edu Lobo em 1983) e que, com um toque de muito surrealismo, conta a história de 5 gerações da família Knieps ao longo de 100 anos.

Sem dar spoiler, a história começa antes mesmo do tal circo existir com o casal Fred e Beatriz. Ele, que é um médico de uma família tradicional austríaca, ao descobrir que o sonho dela é estar de volta num circo, resolve comprar um picadeiro para ela ser a estrela principal.

A partir daí, entre uma apresentação suntuosa aqui e ali para uma platéia lotada, o filme reserva um tempo para cada geração da família e, acredite, toda a trajetória é marcada por tragédia e traição e, em alguns casos, temas pesados como estupro e incesto.

É como se a família Knieps estivesse amaldiçoada por ter começado tudo através de uma mentira (que não contarei qual é, óbvio). Nenhuma geração parece estar imune aos conflitos, que com o passar dos anos se tornam cada vez piores.

Nisso, se revela a parte mais bela da história, ou a parte mais alegórica da obra toda. Conforme o tempo avança, todos ganham um semblante cada vez mais envelhecido e melancólico, exceto Celaví, que preserva a mesma aparência ao longo de cem anos. Essa eterna juventude do personagem pode ser vista como um simbolismo para a magia mística ao redor do circo - que nunca morre, e é o principal responsável pela parte poética do filme.

A mágica e o quê lúdico do poema de Jorge de Lima tentam ser reproduzidos por Diegues em uma suntuosa produção, com direito a cores fortes, luzes abundantes, figurinos exuberantes e atores no limite da caricatura circense, e todo esse pacote encontra respaldo numa história muito interessante, apesar de trágica.

O Grande Circo Místico consegue levar estrelas para o picadeiro com todos os instrumentos necessários para fazer um verdadeiro show acontecer.

5 pipocas!


Deixe seu Comentário

Leia Também