Designer de interiores dá dicas de como encontrar espaço perfeito com soluções bonitas e baratas

Beatriz Neves comenta sobre novas tendências de decoração para proporcionar surpreendentes ‘antes e depois’

26 JUN 2017Amanda Amaral16h30min
Foto: Wesley Ortiz

Com o lema de que é possível modificar um ambiente com ideias que não ‘prejudiquem o bolso’ ou deem muito trabalho, a paisagista, designer de interiores e arquiteta Beatriz Neves aposta que mudanças simples podem transformar para melhor uma residência ou ambiente de trabalho.

Com cursos pela Universidade Belas Artes de São Paulo Arquiteta e formada na Universidade Católica Dom Bosco, em Arquitetura e Urbanismo, Beatriz é ligada nas novidades desse universo e divide dicas com os leitores do TopMídiaNews. Esse bate-papo você confere abaixo:

Qual a ‘grande sacada’ para modificar completamente um espaço de maneira inteligente?

Temos a possibilidade de modificar um ambiente com soluções mais baratas, que não façam muita sujeira, mas que dão um grande impacto visual. O revestimento é uma das coisas que mais causa esse impacto. No meu site eu mostro o primeiro antes e depois dando preços, mostrando que uma sala inteira foi reformada com R$ 1.200, com exceção do sofá.

As pessoas às vezes não tem a visão, mas pesquisando bastante você vê que com 200 reais, por exemplo, é possível transformar todo o revestimento de uma cozinha. Com 30 peças, em um ambiente pequeno, a mudança já pode ficar bem legal.

Quais as novidades no mercado para realizar um projeto de decoração?

Neste ano, as tendências continuam o cinza, veio do ano passado e continua, também com o acabamento que antes era muito fosco, agora vem numa linha mais polida, brilhosa ou 3D. Antes eram mais geométricos, em todas as cores, pra qualquer tipo de ambiente. O que muda é a paginação, o desenho que você for fazer, então agora veio super em alta a escama de peixe, o formato sobreposto.  Hexágono também, antes era mais triangular, no piso e no teto também.

O cimento queimado já é bem conhecido no mercado, mas antes em forma de tinta, massa, precisava de mão de obra específica. Agora vem em formato de placas grandes, sem muito trabalho, é inclusive lavável.  Um exemplo é usar bem as almofadas, é só trocar as capas que já fica com outra cara, ainda mais se o local tiver uma base neutra de cores. Arranjo de flores, alguns objetos, não precisa gastar quase nada.

Uma composição bacana de quadros também é infalível e pode ser muito acessível, encontrados em lojas de departamento ou gravuras que você pode mandar emoldurar, só você tem. A ideia que dou é sempre colocar os quadros todos no chão, ver qual a melhor disposição.

O que é mais difícil, começar um projeto do zero ou repaginar um ambiente?

O que eu mais gosto de fazer é design de interiores, formação que tenho antes de ser arquiteta. Meu foco é mais reforma do que construções do zero, me encanta a transformação de antes e depois. A decoração tem de estar acessível a todos, bato muito na tecla de cuidar das minhas redes sociais, o blog, para mostrar que quem não tem muito dinheiro pode viver em um ambiente legal. Foi o que aconteceu comigo! É possível você mesmo colocar a mão na massa, sem mão de obra.

As pessoas hoje têm mais referências e vontade de tornar um espaço mais a cara delas?

A questão do DIY (Do It Yourself, em português, ‘faça você mesmo’), está super na moda. Ví um vídeo de uma menina ensinando a fazer uma cabeceira de capitone, que eu comprei pronta e foi muito mais caro! Hoje, as pessoas também têm se interessado mais pela decoração. Bato muito nessa tecla de que isso é próximo delas, a arquitetura e design é algo que pode começar com pequenas coisas, um projeto. Dou a possibilidade do cliente ter acesso aos profissionais da mão de obra ou caminhos para ela mesma tentar fazer.

Quais dicas para tornar ambiente pequeno mais funcional e bonito?

A dica mais conhecida é o uso do espelho. Só que a linha entre o dar certo e dar errado é muito tênue. Num ambiente pequeno, por exemplo, jamais colocaria espelhos refletindo. Também é preciso trabalhar muito bem a iluminação, a circulação. Na minha sala, por exemplo, não há circulação pra sacada porque optamos em ter um sofá maior, uma sala confortável, já que não usamos a sacada. É preciso primeiro avaliar quais são suas necessidades. Usar sofá alemão, que é de canto, em quinas, como em hamburgerias, também pode aumentar o espaço.

Como é o diálogo com o cliente, para equilibrar os gostos e sugestões?

Tenho desde o cliente mais clássico, que gosta de tudo rococó, até os mais contemporâneos, então é preciso trabalhar no que é mais a cara da pessoa. Claro que tudo isso avaliando muito o que funciona, tem vezes que o cliente muda a opinião na metade do projeto, porque descobre que gosta de outra coisa. Uso bastante o cinza e o amarelo, mas não imponho nada.

Há algum exemplo do que não funciona em um projeto?

Um exemplo é tapete, ele precisa abraçar o espaço, é a moldura do lugar. Mas pode não funcionar para quem tem animais em casa, muitas crianças. O que não funciona é muito relativo, de cada uso do lugar.

E qual a sua visão sobre a importância em se ter um ambiente agradável e prático?

É aquele negócio de ‘voltar para casa’. Tenho muitos exemplos de clientes amigos, que antes moravam em casas super bagunçadas, sem muito cuidado e, de repente, com mudanças simples no projeto parece outro lugar. A pessoa passa até a ter mais vontade de estar naquele ambiente, produzir mais, se for no trabalho, se sentir mais pertencente ao lugar. O papel do designer é entender o que você gosta e tentar trazer a melhor solução para o espaço. 

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