Marquinhos pede perdão por erro na taxa do lixo e faz balanço positivo da gestão

Trad destaca redução no déficit da prefeitura, obras retomadas, salários em dia, além de questões polêmicas como transporte público

12 FEV 2018Rodson Willyams09h45min
Foto: André de Abreu

O prefeito Marquinhos Trad (PSD) concedeu entrevista exclusiva para o TopMídiaNews. Nela, Trad faz uma avaliação do primeiro ano de gestão, uma radiografia sobre como encontrou o município e explica o que tem feito para equilibrar as finanças da prefeitura. Confira a entrevista completa:

TopMídiaNews - Como o senhor avalia o primeiro ano de gestão à frente da prefeitura?

Marquinhos - Foi extremante positivo. Tivemos muito mais acertos do que erros, muito embora os dois se fizeram presentes nesses primeiros 12 meses. É natural que boa parte da população esperasse mais, até porque o ser humano é imediatista, e muita vezes os resultados de médio a longo prazo não são bem vistos dentro de uma comunidade.

Ao assumir a prefeitura, nós fizemos um balanço, uma radiografia de como estava as finanças da nossa cidade. Nos foi deixado no caixa menos que R$ 53 milhões e uma dívida vencida de aproximadamente R$ 270 milhões.

TopMídiaNews - Quais eram exatamente essas dívidas?

Marquinhos - Eram dívidas vencidas de pagamento imediato, como por exemplo: 13º salário; salário de dezembro; salários da Omep e da Seleta de 4,4 mil funcionários e o 13° destes funcionários. Havia dívida de R$ 30 milhões em medicamentos que desde julho de 2016 não eram quitados com os fornecedores; havia repasses atrasados à Santa Casa, Hospital Universitário, Hospital de Câncer e à Maternidade Cândido Mariano de Campo Grande; além de conta de água e de luz com seis meses de atrasos cada uma delas.

TopMídiaNews - E como foi possível solucionar essa questão?

Marquinhos - Nós tivemos que adotar algumas medidas de gestão que nós batizamos de 'Choque de Gestão'. Foi diminuição de secretarias e diminuição de comissionados; retirada de 33% de todos aqueles que possuíam cargos em comissão.

Nós demos revisões em algumas conquistas que o funcionalismo teve, por exemplo, ajuda a quem trabalha a longa distância. E isso tudo nós fomos adequando para que o déficit de R$ 40 milhões encontrado, mensalmente, na administração pública tivesse hoje uma redução de R$ 8 milhões a R$ 12 milhões por mês.

TopMídiaNews - A partir daí, a prefeitura conseguiu ter mais fôlego?

Marquinhos - Nós conseguimos devolver os nove parques para a cidade; conseguimos trazer eventos nacionais para a cidade; reabrimos o autódromo; devolvemos a maratoninha; nós fizemos a festa de Santo Antônio de Campo Grande que há três anos não era feita.  

Devolvemos ainda a Cidade do Natal; cumprimos a demissão de 4.4 mil pessoas da Omep e da Seleta e pagamos todos os salários e todas as rescisões deles; pagamos o piso do salário do educador; conseguimos obras importantes como por exemplo, a rotatória da Via Park; recapeamentos das ruas Antonio Maria Coelho; Padre João Crippa; Raul Pires Barbosa; Mato Grosso entre a Ceará a até ao Parque dos Poderes.

Conseguimos também destravar os recursos da Caixa Econômica Federal no Nova Lima, iniciamos a pavimentação asfáltica que não só concluiu até então, porque o Tribunal de Contas do Estado estava em uma discussão com a Águas.

Também conseguimos equilibrar o Plano Diretor que estava em discussão até na Justiça; enfrentamos a questão da Uber e estamos terminando a licitação de mais 170 alvarás para motoristas de táxi.

Pela primeira vez na cidade chegaram ônibus com ar-condicionado. Hoje entre ônibus com ar-condicionado e climatizados são 10, de um frota que nunca teve em Campo Grande. Hoje nenhum ônibus está fora do prazo determinado pelo contrato.

TopMídiaNews - E na Educação, o que foi feito?

Marquinhos - Na educação melhoramos a qualidade da merenda. Todos os Ceinfs sofreram alguma manutenção na parte dos seus prédios, merenda não falta, carne não falta. Esse ano, nós instituímos junto a uma equipe de nutricionistas, 11 cardápios diferentes, só para esse semestre.

Por exemplo, o filho que tem sensibilidade a lactose ou a glúten, basta a mãe informar que terão alimentação diferenciada. Àqueles com problema de obesidade também têm um tratamento à parte pela prefeitura. Uniformes, nós estamos entregando em todas as unidades, kits de material. Foi tudo comprado e já está sendo entregue.

TopMídiaNews - E no caso dos professores?

Marquinhos - Nós seguimos todas as recomendações do Ministério Público Estadual e todas foram atendidas e chamamos mil concursados. No total do ano de 2017, nós conseguimos chamar quase 1,5 mil concursados, nos quatro anos da gestão anterior [Alcides Bernal] chamou 400 professores, nós em 11 meses, chamamos quase 1,5 mil.

TopMídiaNews - Na Saúde, o que foi possível ser feito?

Marquinhos - Nos medicamentos, nós pagamos uma parte [da dívida] aos fornecedores e parcelamos o restante, o que nos devolveu a credibilidade deles voltarem a vender com prazo para a prefeitura.

Nós não enfrentamos nenhuma grave e conseguimos conversa com todos os 25 mil funcionários públicos. O relacionamento com a Câmara é de harmonia e de respeito e na área do Tribunal de Contas, nós não temos nenhuma conta reprovada.

TopMídiaNews - E sobre a polêmica da taxa do lixo?

Marquinhos - Ninguém criou a taxa do lixo, ela existe e sempre foi paga pela população desde 1974, quando foi criada pelo ex-prefeito Levi Dias, vinha denominada apenas 'taxa' dentro do carnê do IPTU.

Quando nós entramos quis dar uma transparência para a população e quis mostrar quais são as taxas que eles pagam. Defendi muito a questão da energia elétrica aqui no Estado. As pessoas se acomodam e acham até graça quando falam que não sabem ler nem uma conta de luz. Eles falavam: 'nem sei o que eles me cobram'. E isso acontece na conta de água e no IPTU era a mesma coisa.

Então, nas contas públicas que eu tenho condições de dizer: 'olha você está pagando taxa e mais emolumentos. Você paga a impressão do IPTU, paga a gráfica e paga o correio'. Quando a gente coloca isso, tinha pessoa que nem sabia que pagava e achava que era obrigação da prefeitura, e não é. A obrigação é do cidadão, ele é quem produz o lixo.

TopMídiaNews - Então, o senhor conseguiu esclarecer a população?

Marquinhos - A taxa hoje é o tributo que mais dá garantia para onde o seu dinheiro vai,  porque tem que ter um contrato específico, é diferente do imposto. O imposto você pagou eu posso usar o dinheiro para a saúde, comprar bola de futebol, uniforme, posso pegar o dinheiro e fazer até atos de malversação do dinheiro público para corrupção. Faço o que eu quero com ele.

Com a taxa não, por isso, que você não pode cobrar mais que está no contrato. Então se eu tenho um contrato de R$ 80 milhões, não posso cobrar mais do que isso.

TopMídiaNews - É possível rever esse contrato que gera em média R$ 80 milhões para os campo-grandenses com a Solurb?

Marquinhos - O contrato é licito e legal. Todos os tribunais já falaram isso, o que pode ser revisto é o valor que é cobrado a tonelada de lixo. Mas de todas cobradas no país, a mais baixa é da Solurb.

Mas enquanto não chegar a um valor definitivo, você tem que honrar e se não fizer, o que vai acontecer é parar o serviço. Eles trouxeram aqui, a folha de pessoal. Só com encargos trabalhistas e de funcionários dá R$ 3,5 milhões. E se não pagar, a cidade corre o risco de ficar cheio de lixo como ficou naquele tempo com o Bernal e aí gera um caos de saúde pública.

As pessoas falam R$ 80 milhões? São R$ 80 milhões ao ano, mas também não é só pegar a sacolinha e jogar. A Solurb tem que ter área apropriada, usina de tratamento residencial, máquinas recicladoras, precisa separar vidro, do orgânico, do inorgânico e dar destinação deste lixo. Se tiver animal morto, por exemplo, a empresa tem que ter crematório, profissionais, chorume, encargos trabalhistas e o cara que corta o dedo no lixo e pede indenização.

TopMídiaNews - E a empresa tem cumprido com o contrato?

Marquinhos - Cabe a prefeitura fiscalizar, a Agereg diz que sim! O que falta são o ecopontos. Isso vai ser uma cobrança final nossa. Acontece que eles não tinham diálogo com o Bernal e no contrato dos ecopontos quem tem que oferecer o espaço é a prefeitura  e não eles. Mas já estamos em andamento e esse ano vai ter novidade dos cinco ecopontos.

TopMídiaNews - Essas áreas não correm o risco de se tornarem um novo lixão?

Marquinhos - É apenas destinar lixo, sem fiscalizar pode virar lixão. E esse aí é outro problema que cabe a prefeitura.

TopMídiaNews - Quais são os planos para 2018?

Marquinhos - Olha, tudo depende de caixa, tudo que for fazer precisa de dinheiro, como que faz se não tem dinheiro? As coisas melhoraram porque fizemos o 'Choque de Gestão', não porque a receita aumentou, é porque diminuímos as despesas. Mas será que esse ano vão ter paciência de não dar reajustes?

Inaugurei Ceinfs, tive que contratar professores, aumentar merendas e também aumenta a demanda da cidade, e daí? Vai tirar de onde? É muita cobrança, lidar com seres humanos é difícil.

Às vezes as pessoas vêm aqui com currículo, exige ética e moral de homens públicos, mas elas não querem fazer concursos, sempre tem dar um jeitinho. A gente fala, explica e uns entendem outros não, o que entendem você dá uma oportunidade em função que o município está precisando. Daí você dá a oportunidade e ainda reclamara da que a secretaria que é longe da casa dela. É difícil.

TopMídiaNews - Por fim, o senhor deseja enviar uma mensagem aos campo-grandenses?

Marquinhos - Quero dizer que estamos no caminho certo. Pedir perdão pelo lapso da taxa do lixo, não causei prejuízo a ninguém e não tive bens bloqueados e não cometi atos de corrupção. Quero dizer que vamos focar nos acertos.

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