Médica dormindo, espera de horas e falta de vagas: Capital vive dia de caos na saúde

Atendimento é criticado por usuários que "metem a boca no trombone"

15 AGO 2017Liziane Berrocal11h15min

Campo Grande enfrentou uma manhã de caos na saúde pública nesta terça-feira (15). Durante a madrugada, uma médica pediatra teria sido encontrada dormindo pela mãe de um bebê na UPA Leblon. A pediatria também foi o problema na UPA do Vila Almeida, com diversas reclamações e denúncias. E também no Leblon, após aguardar por nove dias, finalmente uma paciente com pneumonia e quadro grave de anemia foi transferida para o Hospital Regional. 

Rharyanne Ortiz Medrade, mãe de um bebê de um ao e sete meses, usou as redes sociais para registrar sua indignação. Segundo ela, ao chegar na unidade de pronto atendimento do Leblon com o filho Pedro Henzo Ortiz, de um ano e sete meses, apesar de ter sido informada que não havia nenhum paciente antes dele para ser atendido, ela aguardou mais de uma hora pelo atendimento. 

A criança apresentava um quadro de falta de ar e estava bastante ofegante. Com a demora da médica pediatra para atender o bebê, que começou a ficar mais ofegante, a mãe se desesperou. “Comecei a gritar, daí levaram meu filho para fazer a emergência, já colocaram a máscara de respiração nele e eu estava muito nervosa”. 

De acordo com a denúncia, a médica teria chegado com "cara de quem acordou agora" e ainda teria repreendido a mãe de que ela teria "demorado para levar a criança". “Fiquei muito mais nervosa porque eles demoram o atendimento e ainda nos repreendem?”, questionou.

Indignada Rharyanne quer denunciar a médica. “Fiquei tão desesperada com o estado do meu filho que não anotei o nome da médica. É uma bem novinha”, descreveu. 

Sem pediatras

Com várias crianças na sala de espera, a UPA do Vila Almeida também foi alvo de reclamações por parte dos usuários. Segundo Luciano Rocha, após buscar atendimento no CRS (Centro Regional de Saúde) no Aero Rancho, ele foi orientado a ir até a UPA do Vila Almeida onde teria o atendimento pediátrico. Porém, ao chegar no local, às 10h, o atendimento pediátrico ainda não havia começado e várias pessoas estavam reclamando.

Segundo a escala médica da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) divulgada pela Prefeitura Municipal, cinco especialistas em pediatria na unidade. 

Nove dias de espera 

Já Lethicia Rodrigues Brito dos Santos, está desde o dia 06  na UPA do Leblon com pneumonia  e, segundo a família, com um quadro grave de anemia. Durante todo esse tempo, ela ficou aguardando uma vaga para ser transferida. “Ela está fazendo uso de oxigênio diariamente aguardando vaga em um hospital desde a data de internação, com laudo de encaminhamento médico e tudo”, contou a irmã da paciente. 

Após contatos com a Sesau, a paciente finalmente conseguiu a senha de transferência para um leito no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul. 

Outro lado

Por meio da assessoria de imprensa, a Sesau explicou que os casos devem ser levados à ouvidoria do órgão para que seja feita uma reclamação formal. “Feito isso, a reclamação será encaminhada para o setor responsável e, se for o caso, será ser instalada uma sindicância para apurar a conduta do profissional”, disse sobre a médica que supostamente estaria dormindo durando o plantão. 

Já em relação a demora do atendimento, a justificativa é que as 24h funcionam com sistema de classificação de risco, ou seja, o que determina o tempo de espera por atendimento é a gravidade do caso e não a ordem de chegada. “Lembrando que, seguindo o protocolo de Manchester, o atendimento a pacientes classificados como azul ou verde pode se dar em até 4 horas”. 

A Ouvidoria da Sesau pode ser acionada pelo número 3314-9955. 

nando viana

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