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Tema Livre

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Idiolatria, por Fábio Ricardo Trad Filho

18 JAN 2019 Fábio Ricardo Trad Filho 08h07min

A história pode ser a maior professora da humanidade. Guarda em suas páginas amareladas lições valiosas. Ela não é vaidosa, pois as guarda em silêncio, mas é generosa e revela seu tesouro àqueles que a procuram.

Dentre as lições célebres com que nos presenteia, existe a de que o moralismo já foi extremamente utilizado na humanidade para buscar “respeito” social. Fonte de discursos ortodoxos, a moralidade hora ou outra é despejada por alguém que pleiteia votos, popularidade, fama. No caso dos políticos moralistas as três coisas juntas.

Eis que em sua grande maioria, todo esse script serve apenas como arrimo para que a ausência de efetivas proposições práticas passe despercebida pelo eleitorado. Afinal, o discurso de extrema rigidez de conduta, de elevar valores acima de efetivas imersões técnicas para a solução de problemas palpitantes como o desemprego ou a crise do sistema único de saúde é uma espécie de ilusão opiácea que inebria os sentidos e deixa o povo a mergulhar em questões absolutamente subjetivas enquanto os reais problemas crescem e se reproduzem sem que estejamos atentos e focados em suas difíceis soluções.

Mas acontece que os falsos moralistas são os próprios criadores de suas armadilhas, criam um código de conduta tão severo, rígido, intransigente que eles mesmos não conseguem cumprir, nascendo daí sua derrocada. Em suma seus piores inimigos são as suas próprias hipocrisias.

Aconteceu com Flávio Bolsonaro que posicionava-se contundentemente contrário ao foro privilegiado e ingressou na manhã de hoje, 17/01 de 2019 com a Reclamação de número 32989 no STF pedindo para que a investigação contra seu motorista e assessor Fabrício Queiroz que movimentou, supostamente de maneira ilícita, a quantia de 1.5 milhões de reais em sua conta bancária fosse suspensa. A alegação para a suspensão da investigação? A de que fazia jus ao mesmo foro privilegiado que fora tão explorado por ele e pela família Bolsonaro como símbolo de corrupção e impunidade. Caíram em sua própria armadilha.

Por isso é necessário que esquerda, direita e centro da política brasileira urgentemente se distanciem de questões subjetivas, imateriais e que não guardam nenhuma relação com a busca de proposições efetivas e verdadeiras.

 Distanciemo-nos de inimigos ilusórios ou aspirações imateriais e meramente ideológicas, nosso país está anos luz aquém de seu potencial e não será o (falso) moralismo que nos trará a redenção. É o que a história nos conta.

Fábio Ricardo Trad Filho – 17 de janeiro de 2019.

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