COLUNA

Reflexões

Marcelo A. Reis

Portugal, a Eurocopa e a situação brasileira

10 SET 2019 Marcelo A. Reis 08h23min

Caro  leitor;

Há muito vimos, aqui mesmo, falando sobre a nossa interminável crise.

O texto abaixo, de 2016, fazendo um paralelo com a Europa e Portugal,segue bem atual.

Releia, tire as suas conclusões e dê a sua opinião. 

Abraços!!!!!

Marcelo A. Reis

 

"

Caro leitor;

Domingo, cansado com o noticiário nacional, resolvi fugir. Assisto a decisão da Eurocopa. França X Portugal. Estava preparado para a derrota portuguesa. Os donos da casa tinham tudo para atropelar os nossos irmãos. Mais time, mais torcida. Novamente morreriam na praia! Coadunar-se-ia (homenagem ao "Interino") com o lado trágico da alma lusa! Em poucos minutos de jogo, temos o incidente que afasta a grande estrela. Cristiano Ronaldo, CR 7. Pareceu que o desastre anunciado ia se afigurando, mas.....

Portugal, com a sorte que não se afasta dos vitoriosos, agiganta-se. Sem nenhuma estrela, com uma articulação de conjunto, como raras, aguenta o tranco e calou a França. Um negrão, nascido na Guiné, reserva, com uma estória de vida que mereceria uma novela das seis, criado em orfanato, diversas ocorrências de sofrimentos na infância, surge de um "NADA" e no segundo tempo da prorrogação marca. Um belo, dramático e salvador gol!  "Golo"! Como lá dizem.

Foi o "Maracanazzo" dos franceses! Carregarão esse trauma, como nós, por longos tempos. Os "patrícios" expiam a derrota de 2004, na final, em pleno Estádio da Luz, em Lisboa, contra a pequena e, futebolisticamente, insignificante Grécia. Por tabela nos vingaram de 1998.

Acima, referi-me ao lado trágico, mas merece uma correção. A característica de Portugal é maior. É a façanha, é o heroísmo, inclusive, claro, com a face trágica, o sofrimento. São as grandes navegações. As descobertas. A propagação do Cristianismo (na concepção da época) nos mais longínquos pontos do mundo.

Não tenho vergonha. Confesso que chorei com o CR 7 quando ferido, quando substituído e  na explosão da vitória.

Depois do jogo, assisti a resenhas, a vídeos e fiquei pensando sobre a superação. A dos atletas e as da vida.

Lembrei-me da enorme faixa com uma frase do Hino Nacional deles: “NAÇÃO VALENTE E IMORTAL!”. Ocorreu-me outra que dizia: "Não somos 11; somos 11 milhões!".

Fiquei pensando no Brasil. A maior das epopeias portuguesas. Maior do que as navegações, ainda que surgido delas. Um minúsculo país, com pequeníssima população, descobre coloniza, expande, assegura a unidade de uma área milhares de vezes maior por mais de trezentos anos! Com uma cultura, idioma comum!

O buraco em que estamos.

A quadrilha defenestrada, tenta justificar com supostos ganhos sociais as suas tramoias. Roubalheiras! O faz com o maior dos cinismos como se tal discurso lhe desse indulgência e imunidades para saquear. O novo governo, dito interino, assume com uma fome insaciável. O Vice Presidente traz, sob as suas asas, o pior do pior da malta que comanda a política nacional. O esgarçamento dos tecidos éticos, morais, sociais, políticos e econômicos ocorre em velocidade maior do que supersônica. Hipersônica!

Os grupos retrógrados de sempre fazem o discurso da correção das lambanças PTistas. Para tanto querem que as parcelas mais humildes e a classe média paguem o custo maior. Dizem pomposamente que as instituições estão funcionando.

Estão? Acho que não.

O Judiciário é um Carnaval. O que avançou da Lava Jato no S.T.F.? Praticamente nada. Os Ministros mais querem os holofotes do que qualquer outra coisa. Sentem-se, com as exceções de costume, "Pop Stars" .

E o Legislativo? Este é muito ruim, mas não é pior do que o Judiciário. Apenas é mais transparente e, portanto as suas mazelas mais visíveis. Afronta o país defendendo o (ex) deputado Eduardo Cunha, o Senador Renan Calheiros, o Jucá e tantos mais.

Articulam-se os dois (des) governos (aliás são um só), o Legislativo e o Judiciário para encerrarem a Lava Jato , e congêneres, e ficar tudo " como dantes no Quartel de Abrantes". Estão unidos no saque ao Brasil.

Fala-se em cortes, em ajustes fiscais. Faltam remédios, hospitais, equipamentos, escolas, professores, pesquisas interrompidas por falta de recursos, as Polícias despreparadas e desequipadas, as Forças Armadas à míngua......... NÃO mexe nas absurdas mordomias, frotas infinitas de veículos de representação, Castelos dignos das "Mil e Uma Noites".

Que se danem os ferrados! Que morram por falta de leitos hospitalares! Que fiquem ignorantes as nossas crianças. Os filhos/netos dos maiorais estudam em escolas caríssimas sob currículos/calendários britânicos, franceses, alemães, suíços. À guisa de informação o caçula do Prof. Temer está sendo matriculado em uma dessas.

Façamos como os portugueses, ao menos no futebol, vamos nos mexer em conjunto. Sacudamos este país. Do contrário passaremos à história das nações como um povo que habitou uma rica e promissora terra e que foi dominado por não a viabilizarmos.

Sergio Moro, e outros jovens Juízes, Procuradores e Delegados estão fazendo um magnifico trabalho, mas estão sendo sabotados, esvaziados em todos os momentos. Temos que "botar a boca no trombone”!

José Dirceu, Vacari e demais da camarilha PTista , no momento, preocupam menos que a Turma do Interino.

Temer, Renan, Eduardo Cunha, Jucá estão no comando...

E não são confiáveis....

Até a próxima!"

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