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Pedro Martinez

The Mustang: controle de raiva...

Violência tem cura

26 JUN 2019 10h01min

Quando se é pego e está preso, um criminoso acaba por não ter muitas alternativas na vida. Quando condenado perde o direito de ter uma vida em consequência. Rebaixado à "quartinhos" sem higiene e minúsculos, sua vida se torna basicamente um contar de dias infindo sem futuro. As tais segundas chances serão bem poucas para eles e, se existirem, têm esperança muito pequena de resultado, principalmente porque suas vidas foram eliminadas por péssimas escolhas feitas no passado.

Porém,  The Mustang, o mais novo filme da cineasta Laure de Clermont-Tonnerre, entrega nova luz aos prisioneiros, apresentando um programa que, realmente existe, e é aplicado nas penitenciárias norte-americanas. Isso é o instrumento narrativo de um filme que conta a história fictícia de um homem, que lá no âmago, é um retrato de um final feliz verdadeiro e raro nesse tipo de situação.

Roman Coleman (Matthias Schoenaerts de Operação Red Sparrow) têm na personalidade problemas de ira, péssimo temperamento e o peso do passado violento exposto em suas feições e comportamento. Pela brilhante interpretação do ator belga conhecemos assim um cara de jeitão carrancudo, meias e poucas palavras além de expressividade zero e nenhuma empatia. Você sente vontade de evitar até mesmo um simples olhar do elemento. Ele é o retrato claro de um homem que perdeu a cabeça em casa e acabou obrigado a aceitar o gosto azedo de uma "sobrevivência" reclusa do resto da sociedade.

Mesmo internalizando a violência doméstica e os traumas não revelados, sendo essa uma péssima escolha em um programa de reabilitação, a iniciativa traz prisioneiros bem comportados para o campo aberto, onde eles deverão aprender a adestrar cavalos selvagens da raça Mustangue, que é um símbolo da cultura americana por ter, supostamente, o espírito livre e quase incontrolável, se tornando assim um excelente teste de paciência para homens comprovadamente instáveis e nervosos.

Comendo pelas beiradas no tal programa, Roman se vê responsável por adestrar o mais arisco de todos os cavalos ali disponíveis. Como o próprio "treinador", ele têm o gênio forte, raivoso e tempestuoso, sendo assim praticamente indomável. E quando entra em conflito com a deste homem, delicado como um cavalo, se tornam duas bombas prestes a explodir. Assim, essa combinação acaba eclodindo num encontro caótico que acaba se tornando uma profunda experiência de aprendizado mútuo.

Nas relações com outros humanos, um detento pode muito bem fracassar em outros tipos de reabilitação, mas aqui, em sua comunicação não verbal, acaba se encaixando naturalmente na linguagem corporal de Marquis, o cavalo selvagem que agora tem um nome nessa altura da trama. Esse casamento inusitado irá permitir que, um homem, que carrega o peso do arrependimento de um crime, possa desenvolver certa sensibilidade inesperada, podendo assim aprender a lidar com o próprio emocional de maneira mais profunda e transformadora. Sendo uma espécie de psicologia reversa, essa experiência de aprender a entender um animal abre caminhos imprecisos para a construção de uma pessoa nova com esperança e determinada a fazer de vez as pazes consigo e sua família.

Eu e vocês sabemos que perdoar um criminoso é extremamente difícil, mas The Mustang vêm para mostrar uma perspectiva mais sensivel desta fatia de uma população que frequentemente é ignorada. Na sociedade eles são vistos como párias mas pelo olhar da câmera de Clermont-Tonnerre aprendemos que sim, há recuperação para uma pessoa violenta.

5 pipocas!

Disponível para download via torrent no Pirate Bay.
    

 

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