COLUNA

Top Pipoca com Pedroka

Pedro Martinez

Tolkien: a vida simples de um gênio...

Terra Média em foco

28 JUL 2019 10h40min

Grandes gênios são motivo de encantamento para nós. Simples espectadores que somos buscamos tentar entender o que se passa na cachola desses criadores de histórias fantásticas. E é essa curiosidade que justifica essa obra sobre a vida de J.R. Tolkien, o criador da Terra Média e do clássico O Senhor dos Anéis.

Mas não espere acompanhar um conto de maravilhosos feitos não. O filme ressalta que a genialidade de Tolkien vêm de momentos simples e singelos. A vida do mestre também foi comum.

Passa-se rapidamente pela infância do autor e o mais interessante acontece mesmo na juventude. Entendemos que para ele foi difícil deixar sua casa de campo e ir para a cidade grande com a mãe e o irmão. John Ronald achava o ambiente frio e intimidante e isso o fazia sentir falta da liberdade que parecia maior antes; andar livre pelas árvores era um tanto mais acolhedor que só ver o concreto dos prédios.

Sua mãe, Mabel é a pessoa que teve mais importância no desenvolvimento de sua criatividade. Ela contava histórias e criava um ambiente mágico na vida dos filhos para tentar suavizar, ainda que por pouco tempo, os problemas financeiros da família.

Mas o trauma de Tolkien não seria somente a tal separação entre o campo e a cidade. O segundo pior momento de sua vida foi perder a mãe repentinamente. A morte de Mabel deixou-o, ao lado do irmão, órfão. Apesar disso, conseguiram abrigo na casa de uma tutora, e um padre amigo da família, coordenava seu futuro e estudos.

Apesar de sua vida não ser cheia de momentos grandiosos, cada detalhe mínimo ajuda a explicar as temáticas presentes em suas obras: a crítica ao desenvolvimento exagerado veio ao conhecer a cidade grande e o conceito de lar do Condado era resultado de algo que ele perdeu muito cedo.

Porém na juventude dois laços específicos que ele criou mudaram para sempre sua vida. Ele conhece Edith, que se tornaria sua esposa e cria uma sociedade de leitura com os amigos Robert, Geoffrey e Christopher. Ela ensina o amor e as dificuldades que vêm junto ao sentimento e, os amigos mostram o que é lealdade além de exemplificarem muito bem os sonhos de uma geração que foi interrompida pela Primeira Guerra Mundial, a "guerra das trincheiras"; uma das mais sangrentas vistas pela humanidade.

A guerra, por coincidência do destino, veio a juntar o casal mas também o fez perder amigos. O horror do conflito afetou bastante a escrita do autor e isso é representado através de flashbacks misturados a momentos do presente. Ele voltou para casa com a febre das trincheiras e só depois de conseguir lidar com esse trauma é que pôde finalmente iniciar a criação das primeiras linhas sobre a Terra Média - até então ele só havia inventado mesmo os idiomas.

E para nós fãs, ainda foram inseridos no longa, momentos célebres como quando aparecem as primeiras anotações sobre a língua doa anões ou quando o autor fuma um cachimbo sentado na sua cadeira de balanço preferida - exatamente como as fotos clássicas de Tolkien que conhecemos mostram

Tokien é um filme simples e até certo ponto, despretensioso. Assim como os hobbits das histórias, sua vida foi pontuada por simplicidade, grandes perdas e superação. A forma que ele encontrou para lidar com isso que é o diferencial de tudo. Enquanto muitos soldados voltam traumatizados de uma guerra, John Ronald Tolkien encontrou na escrita um refúgio para se defender de seus medos.

5 pipocas!

Disponível para download via torrent no Pirate Bay.

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