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Pedro Martinez

Turma da Mônica - Laços: nostalgia...

Turma da Mônica

5 JUL 2019 11h18min

Nos últimos 50 anos, qual foi a criança que NUNCA viu ou ouvir falar da Turma da Mônica?! Nenhuma né - a não ser que seja uma criança de uma tribo indígena escondida da sociedade. Foram e são muitas as gerações que acompanharam as histórias em quadrinhos, desenhos na TV ou VHS e as animações no cinema né? E para fãs como esses existe muita familiaridade e carinho com relação aos personagens além do universo todo de Maurício de Sousa, afinal crescemos junto com isso. Em consequência, uma aventura dessa em carne e osso é um sonho realizado mas mesmo assim traz uma responsabilidade enorme imbuída. Até porque, convenhamos, é preciso acima de tudo respeitar a história da obra tentando agradar todas as idades igualmente.

Toda a jornada que culminou nessa obra no cinema começou lá em 2013 com o lançamento da chamada graphic novel Laços, de Vítor e Lu Cafaggi. A história mostrava Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão numa versão um pouco mais realista que das HQs originais, como se eles realmente andassem por aí. Nela a trama gira em torno do sumiço repentino de Floquinho no meio da noite; então, quando nenhum dos pais acreditaram nas "pistas" dadas pela turminha eles decidiram resolver o mistério por si. O sucesso dessa acabou sendo estrondoso e rendeu até  continuações, Lições e Lembranças até chegar na ideia desse filme.

Para comandar a live-action chamaram então Daniel Rezende, que fora indicado ao Oscar por montar Cidade de Deus, e ainda era novato na direção. Essa aposta ousada terminou por dar muito certo e ganhamos assim essa pérola em cartaz pelo Brasil. Daniel é um grande fã de Laços e essa característica fica escancarada ao assistirmos graças ao imenso respeito que o diretor trabalhou. Aqui não foi preciso apenas reproduzir a ideia dos Cafaggi, mas sim modelar, com a maior competência possível, ícones marcados no imaginário coletivo. Toda a reprodução recebeu pitadas de teorias, lembranças e cenas emblemáticas para a direção. Têm o Cascão saindo de uma lata de lixo; a Magali tentando resistir a um pedaço de melancia; a humildade do Cebolinha pedindo silêncio porque tem "gênio cliando" e; tem a Mônica bufando de raiva quando a chamam de baixinha e dentuça.

Pequenos detalhes no elenco chamam muita atenção. Giullia Benite é perfeita nas feições da Mônica e sua carinha de brava merece aplausos; Kevin Vechiatto falando tudo "errado" como o Cebolinha é muito natural; Laura Rauseo interpreta muito bem o conflito da Magali com a comida e Gabriel Moreira encarna muito bem o pavor de Cascão com relação a água. Nada a reclamar das crianças escolhidas.

Já sobre a parte mais técnica, a direção de arte matou a pau ao trazer vida ao bairro do Limoeiro. Os contornos de realidade chegam a espantar de tão idêntico que ficaram. Um cuidado especial da equipe foi o de não propagar a violência e mesmo assim manter Mônica briguenta. Estes momentos são repercutidos através de onomatopeias e expressões contornando muito bem a atual problemática do bullying sem tirar a essência da personagem. Além do elenco, a nota é dez para ambientação que flerta com épocas diferentes. O figurino dos pais é idêntico, por exemplo. Têm o antigo telefone de gancho, uma praça com coreto, o tio do sorvete, do cachorro quente, dos balões e por aí vai. Outro destaque são as expressões do atual cotidiano empregadas na linguagem, tipo o "só que não". E o que dizer dos easter-eggs espalhados pros fãs descobrirem?! Creio que é preciso assistir várias vezes para perceber alguns.

Detalhes técnicos foram muito elogiaveis, não posso negar. Mas em relação a amizade o filme encaixa muito bem, especialmente pelo trabalho feito na dinâmica das crianças. Parece que eles se conhecem desde sempre.

Ah! E antes tarde do que nunca, é incrível a participação de Rodrigo Santoro como Louco. Na graphic novel ele não existe mas no filme foi encaixado primorosamente. Sua aparição diverte muito, além de ser inusitada. E a trilha sonora de Fabio Goes muitas vezes fazem escorrer algumas lágrimas em nós espectadores/fãs.

Turma da Mônica - Laços é belíssimo e encantador. Trata as crianças com inteligência e agrada todas as idades. Têm apelo nostálgico, história e ambientação corretíssimas e apresenta pitadas de presente e passado. O filme nos trás orgulho de uma produção nacional de respeito.

5 pipocas!

Em cartaz nos cinemas.

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