PM morto a tiros em lanchonete é suspeito de surrar trabalhador de conveniência

Caso foi denunciado, mas arquivado porque vítima não quis que investigação fosse adiante

11 FEV 2019Celso Bejarano11h10min
Foto: Reprodução/Facebook

O soldado da Polícia Militar Juciel Rocha Professor, 25 anos, morto a tiros numa conveniência de Maracaju neste sábado (9), foi denunciado, em julho do ano passado, por ter, supostamente bêbado, surrado um rapaz de 21 anos, que trabalhava como caixa, em um bar da cidade.

Horas depois da morte do soldado – atingido nas costas e cabeça –, um dos envolvidos apresentou-se à polícia, três foram capturados e um quinto foi morto a tiros por ter “enfrentado os policiais”, segundo versão da polícia local.

Para a polícia, todos teriam agido na morte do PM.

Agressão

O militar foi fichado por infração penal relacionada como crime de “lesão corporal dolosa [intencional]”.

Cena do crime onde PM foi assassinado - Foto: Robertinho/Maracaju Speed

O caso foi lavrado no dia 24 de julho do ano passado, na delegacia da Polícia Civil local. Contudo, embora a vítima tenha declarado no início da denúncia que queria que o policial fosse punido, no dia 30 de janeiro, exatos 12 dias atrás, a Justiça arquivou a questão.

E sabe o motivo pelo qual o juiz do município, Marco Antonio Montagnana Morais, encerrou o caso, inocentando o policial? Veja:    

Decisão Judicial

“De fato, extrai-se do termo de audiência de que a vítima manifestou desinteresse em representar contra o autor do fato, o que impossibilita a persecução penal em Juízo. Dessa forma, ante a ausência de condição de procedibilidade para o ajuizamento da ação penal no caso concreto, JULGO EXTINTA A PUNIBILIDADE de JUCIEL ROCHA PROFESSOR, regularmente qualificado, em razão da renúncia ao direito de representação por parte da vítima. CERTIFIQUE-SE desde logo o trânsito em julgado ante a preclusão lógica do direito de recorrer. ARQUIVEM-SE os autos”, definiu o magistrado.

Ou seja, Juciel Professor, policial militar, livrou-se da “lesão corporal dolosa”, crime que poderia condená-lo por até um ano, porque a vítima preferiu poupá-lo.

A Denúncia

Na denúncia comunicada à Polícia Civil, no dia 24 de julho de 2018, Leandro Fernando Freitas, 22 anos, disse que trabalhava no Lounge 47, um bar, e que lá atendia as pessoas e ainda cuidava do caixa do estabelecimento, “quando foi agredido pela pessoa de Juciel Rocha Professor”.

Leonardo narrou que por volta da meia-noite e dez minutos do dia 24 de julho do ano passado, estava no banheiro, “momento em que Juciel entrou no local dando bicudas na porta, oportunidade em que Juciel” o agrediu com socos que atingiram-lhe a região do rosto.

Suspeitos de executar PM estão presos; um morreu - Foto: Repórter Top

“Relata o mesmo [Leonardo] que também foi agredido com chutes que atingiram sua coxa”, diz trecho do boletim de ocorrência, assinado pela delegada da Polícia Civil local Gláucia Fernanda Valério e pela investigadora Jussara Helena Honório Alves.

“Relata o comunicante-vítima que, no momento do fato, Juciel apresentava sinais de embriaguez”, afirmou o rapaz no boletim policial. O atendente disse não saber o motivo de ter apanhado do policial.

Queria Investigação

Naquela mesma data, é dito no chamado “termo de representação” que a polícia ia prosseguir a investigação se houvesse “representação criminal” assinada pela vítima.

O rapaz, então, concordou e pediu a apuração contra o policial.

No dia 17 de agosto, quase um mês depois de levar a surra e de ter denunciado o caso, Leonardo volta à delegacia e, em depoimento, repete tudo havia dito antes e reforça o propósito de querer que a polícia investigue Jociel.

Arma usada pelos suspeitos de matar PM - Foto: Repórter Top 

No dia 29 agosto foi a vez do policial prestar depoimento. Ele confirmou que estava no bar 47, que sabia quem era Leonardo, que havia bebido, mas não apresentava sinais de embriaguez.

O então soldado negou, contudo, que havia agredido o atendente do bar. Ele afirmou que achava que a porta do banheiro estava emperrada, daí impôs força para abri-la. O soldado disse acreditar que a porta, depois de arrombada, possa ter batido no rapaz.

Dia 11 de setembro do ano passado, a polícia ouviu uma testemunha, também funcionário do bar. O rapaz confirmou ter visto o policial discutindo com Leandro, na porta do banheiro, mas não disse ter visto as agressões.

Motocicleta usada na execução de PM - Foto: Repórter Top

Renúncia

Já no dia 22 de novembro, no fórum de Maracaju, havia agendada uma audiência que deveria ser participada pelo policial e pelo rapaz denunciantes.

O policial não compareceu por estar cumprindo expediente na cidade de Chapadão do Sul. Ainda assim a audiência aconteceu e, sem motivo aparente, o rapaz surrado, afirmou que não tinha mais interesse em seguir a investigação contra o policial militar.

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